Minha viagem de mudança para os Estados Unidos #013
Peguei o ônibus da minha cidade, no interior do estado, para a capital do Espírito Santo, por volta de 10:30 da noite. Cheguei umas 05:45 da manhã. Fui dormindo fragmentado, não consigo dormir bem em ônibus. Vesti um casaco pesado, mas não esquentou muito. Sai do ônibus gelado e tremendo.
O ônibus para num ponto mais perto do aeroporto, mas por questão de segurança, preferi parar na rodoviária mesmo. Pois se não achasse táxi rápido, ia ficar muito vulnerável com uma mochila e mala cheia de pertence pessoais num horário que não tem muito movimento na rua.
Lá na rodoviária não estava muito afim de esquentar a cabeça. Peguei um táxi mesmo, foi mais caro, mas como minha mala estava pesada, o taxista deu uma assistência. Uber/99pop agora está mais difícil, se eu pedisse para ajudar com mala, às vezes o motorista não ia gostar. Descobri que você recebe nota e agora estou levemente obcecado por isso, não quero ficar levando nota baixa (bem Black Mirror). Pagei R$70 no táxi, por Uber/99pop sairia metade do preço. Meu dinheiro deu certinho, tinha em papel-moeda exatamente essa quantia.
No aeroporto perguntei sobre o check-in na entrada. Tinha que esperar uns minutos, tomei um chá de cadeira, fiquei fazendo umas questões de Francês no Duolingo, dei uma volta para passar o tempo. Comprei um chá gelado numa máquina, pois ficaria mais barato que comprar em uma lojinha no aeroporto. A aproximação do meu cartão internacional não está funcionando, só funciona o chip. Não sei se o NFC só funciona internacionalmente ou se mexi em alguma configuração no app para desativar a função.
Fiz o check-in para despachar a mala, a máquina imprimiu uma etiqueta, como foi a primeira vez que despachei a mala, não sabia como colocava, deixei a moça do atendimento colocar para mim. Fiquei um pouco com vergonha, admito. É como se eu tivesse num restaurante chique e não soubesse usar os talheres. A atendente olhou meus documentos e visto, e escaneou-o na máquina.
Fiquei com um pouco de receio no raio-x, de eles pedirem para abrir minhas coisas e eu travar a fila e todos olharem com cara feia para mim, pois foi a primeira vez que levo minha mochila estourando. Fiquei preocupado nessa questão de líquidos e metais. Estou com desodorante em gel, kindle, prestobarba, tripé de celular e algumas moedas. Coisas que nossa mente cria, mesmo tendo andado de avião algumas vezes, aeroporto não é um ambiente que estou 100% familiarizado e ainda tenho medo de passar vergonha em alguma coisa.
Fiquei analisando as pessoas, ainda bate um sentimento de inferioridade, como se todo mundo ao redor fosse bem-sucedido e eu não. Mas, penso, estou indo para os Estados Unidos com visto, o que me faz pior? Agora é trabalhar, estudar e fazer a minha parte, cada um na sua trajetória. Será que um dia serei rico?
É errado pensar nisso, mas não entendo porque as ricas fazem esses procedimentos que projetam o rosto para frente, estilo "bico de pato", será que elas gostam desse estilo para mostrarem que são ricas ou são poucos profissionais que conseguem entregar um resultado mais natural?
Sou baixo, 1,70, no meu dia a dia, vejo muita gente mais alta que eu, mas no aeroporto, parece que o povo é muito mais alto do que a média das pessoas do meu convívio. Talvez é um ponto que me faz sentir inadequado em aeroporto. Escrevo essa trecho no aeroporto de Vitória, agora tomar mais um chá de cadeira, fazer mais umas lições no Duolingo, ver uns vídeos no TikTok e esperar a minha ida para Garulhos, vai ser minha primeira vez nesse aeroporto.
Mais tarde: Sentou um indiano perto de mim (suponho que era indiano), cheiro do perfume diferente, algo indo para um talco de bebê e almiscarado, bem diferente da nossa perfumaria brasileira. Cheguei aqui em Garulhos, o voo foi bem rápido, em torno de uma hora, o voo da Latam é bem mais pobre do que da Azul. Serviram um biscoito de polvilho redondo bem pequeno e teve coca-cola, algum refrigerante de guaraná e café. Não entendo o porquê das bebidas sempre serem quentes, as companhias áreas do Brasil são inimigas de bebida gelada. O voo não tem nem uma tela para se distrair, bem simples mesmo. O serviço de bordo foi excelente, as comissárias de bordo foram bem simpáticas e fizeram o melhor que puderam levando em consideração as condições. No último voo que peguei na Latam pessoal foi mais grosseiro. Achei o avião bem quente, sentei na janela e os raios de sol estavam queimando a minha perna (fechei a que tinha acesso, a outra janela estava mais em direção ao passageiro da frente, ia ser grosseiro fechar ou pedir para fechar). No meio do dia em dias quentes, vale mais a pena sentar no corredor mesmo. Para quem já viajou de avião e a vista não é uma novidade, mais confortável viajar a noite.
Chegando no aeroporto, fui seguindo o fluxo, vi uma placa escrito "Conexão Internacional", perguntei uma funcionária se era lá mesmo, ela me ajudou, muito prestativa. Já tinha gente reclamando atrás, pois um passageiro estava reclamando sobre a passagem emitida que não estava passando na máquina, ela disse que ele tinha que procurar a companhia área. O fluxo de gente aqui é grande, tem que pensar rápido e não ter medo de perguntar.
Quase entrei na fila preferencial, se você não for pessoa qualificada para ser preferencial, siga à esquerda. Aí teve que passar em outro raio-x. Um senhor que estava na frente encrencou que queria passar umas bebidas que comprou no Duty Free, a funcionária disse que não poderia passar a mercadoria, ele tentou argumentar o porquê tinha o Duty Free no aeroporto, ela disse que ele, se quisesse levar as bebidas, tinha que procurar a companhia para despachar. Ele insinuou que eles iam pegar a mercadoria e levar para casa, ela disse que vai para o lixo (que duvido muito, mas era o que ela poderia falar no momento). Ele envesou e disse que daria as mercadorias compradas para funcionários do aeroporto. Ela apenas disse que ele poderia fazer isso, enquanto isso a esposa já tinha passado as coisas dela e falou que dava tempo dele ir na área da companhia tentar fazer o despacho. A funcionária já estava estressada, disse que não aguentava mais e precisava de tomar um remédio. Pessoal parecia bem cansado, trabalhar em aeroporto, principalmente em São Paulo não parece fácil. Enfim, fiz a minha parte, mesmo sendo marinheiro de primeira viagem em voo internacional, tentei fazer a minha parte, perguntei se precisava tirar notebook da mochila, a resposta era sim, tirei tudo rápido, coloquei os pertences na bandeja e tentei seguir o fluxo o mais rápido possível para não agarrar os funcionários e as pessoas atrás. Vi várias garrafas descartadas, pois não pode levar líquidos acima de 100 mL em voos internacionais. Se as pessoas lessem as regras antes, evitaria dor de cabeça.
Depois do raio-x, passei pela Polícia Federal em seguida, eles fizeram as conferências e me liberaram para viajar. A caminhada é um pouco grande até chegar nos portões. Você pode usar as esteiras para adiantar.
Paguei um rim na comida, R$70 em ovos mexidos com bacon, torradas e soda italiana de cranberry. os ovos estavam bons, coisa que nunca conseguiria fazer em casa. O bacon estava seco, mas hoje em dia é difícil achar um bacon no estilo mais molhadinho. A torrada estava no ponto. Peguei soda italiana, pois tinha muitos anos que não tomava e estava afim de tomar algo diferente. Bom que não como muito, estava bem servido e vai dar para me sustentar por algumas horas. Agora mais umas horas de espera. Umas 9 horas da noite vou buscar o meu local de embarque, arrumei um canto com plugin de tomada para o notebook e celulares.
O embarque: foi bem tranquilo, troquei minha passagem emitida pela Latam por uma emitida pela Delta. O avião estava numa temperatura OK, sempre ouvia que voo internacional era bem frio, mas não achei tão frio assim. Fiquei sentado perto de uma senhora simpática. Vi que ninguém abriu as janelas, fiquei sem graça de abrir, mas depois de alguns minutos vi umas duas pessoas tinham aberto, abri também para dar uma olhada na decolagem. O jantar foi um purê de milho estilo polenta, frango com um molho de tomate, cream cracker, um tablete de queijo, vagem e um feijão branco. De sobremesa tinha brownie. A comida não é tão temperada como a brasileira, mas achei gostoso e estava quentinho. O cream cracker deles é bem mais denso, tenho a impressão que enche mais. O brownie também foi bem massudo (a versão brasileira sinto que é mais aerado), mas não comi, questão pessoal, não curto muito bolo de chocolate e sorvete de chocolate, estava bem amargo, quem gosta de chocolate amargo, iria gostar. Peguei um suco de laranja, o suco estava amaríssimo, parece que bateram a polpa, com semente, casca e tudo. No Brasil, como estamos mais acostumados com gosto doce, foi um "susto" no paladar. Também tinha bebida alcóolica (primeira vez que vi servir álcool), além de refrigerante e água.
Achei curioso as comissárias de bordo, no Brasil os comissários dos aviões que peguei pareciam estar na casa dos 20 ou 30 anos. Na Delta as comissárias, pareciam ter uns 50, 60 anos, muito bem arrumadas e com ótima aparência pela idade.
Dormi quebrado, assim como no ônibus. O voo demorou umas 9 horas. De manhã serviram um pão, uma massa parecendo a de pastel assado, o pão tinha queijo (que evitei comer pela minha intolerância a lactose) e bacon (o molhadinho, finalmente). Mesmas opções de bebidas, mas sem a bebida alcóolica.
Chegando nos Estados Unidos: o desembarque foi bem tranquilo, fiquei na fila da imigração, demorou um pouco, pois a fila tinha muita gente. O agente do governo, só escaneou meu passaporte, tirou uma foto, perguntou se era visto de estudante, eu disse que sim e me liberou. Foi bem educado, pessoal aqui é muito educado, eles são bem solícitos. Posso dizer que a qualidade do serviço do governo e ao cliente, é melhor que no Brasil, no Brasil nunca fui maltratado em aeroporto, nem nada, mas pessoal não esbanja simpatia também (estou falando da minha experiência pessoal no geral).
Na imigração daqui tem que tirar os sapatos, recomendo vir com meias pretas, vim com meias brancas, devem estar todas sujas na sola dos pés agora. Mesmo procedimento de sempre, não pode líquidos, tirar os cintos, tirar os eletrônicos da bolsa, não pode comida perecível (frutas, verduras, etc). Depois você vai para o setor pegar a sua mala.
Minha mala quebrou a rodinha (a qualidade horrível também, nem fiquei indignado, sei que a mala é ruim), o senhor falou que poderia usar um carrinho do aeroporto, uma moça me ajudou a usar. Perguntei por informações na saída, pessoal foi bem simpático. Aí no caminho coloquei minha mala para despachar novamente.
O que achei dos americanos? Maioria do pessoal que trabalha no aeroporto de Atlanta é negro, achei interessante, nunca vi no Brasil em um aeroporto, uma loja ou restaurante em que todos os funcionários fossem negros (mesmo o Brasil sendo um dos países com mais pessoas negras do mundo). Repito novamente, achei o pessoal bem simpático, vamos ver na convivência no dia a dia como vai ser. Estava com medo do inglês, mas como eles devem lidar com estrangeiros todos os dias, o inglês deles é bem tranquilo de entender.
Na minha cidade, Montanha, estado do Espírito Santo, agora está muito na moda colocar uns cílios bem volumosos, mas vi que aqui tem mulheres que levam essa questão de cílios em outro nível, cílios 4 ou 5 vezes maiores comparado aos maiores cílios que já vi no Brasil. Vi que tem muitas pessoas idosas no país. As mulheres brancas de meia-idade gostam do estilo de cabelo mais curvado para dentro.
Pensei que viria muitas mulheres negras de lace, pois tinha ouvido muito sobre isso na internet, mas vi muitas mulheres com cabelo natural ou tranças. Não vi tantas mulheres com lace assim.
A primeira impressão dos Estados Unidos que ficou na minha mente foi o cheiro do carpete no chão, me lembra também um pouco de cheiro de hotel mais antigo.
O senhor da informação me passou a coordenada de onde deveria ir, dei uma volta no aeroporto. Agora esperar meu próximo voo para o destino final. Posso dizer que foi uma experiência positiva essa viagem de mudança. O aeroporto tem uma estrutura mais simples, grande fluxo de pessoas, só poderia ser um pouco mais limpo, mas aí precisaria da colaboração do povo também.
Você acha que é muito diferente, mas no final, gente é gente em qualquer lugar. Você só é uma pessoa de bilhões, cada um seguindo sua jornada nessa vida.
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