Northouse Cap. 2: Diversidade nas Organizações e Cap. 11: Comunicação
O processo de globalização está ligado à diversidade, mas, além desse aspecto, a diversidade abrange a heterogeneidade que pode existir em uma empresa, como descrevem os autores Robbins e Judge (2022): “características individuais como idade, gênero, raça, identidade, orientação sexual, etnia e habilidades podem influenciar as interações e o desempenho no ambiente de trabalho.” O autor mostra a mudança no mercado de trabalho nos EUA, incluindo mais mulheres, um percentual maior de pessoas de minorias étnicas e pessoas com mais de 55 anos ativas na força de trabalho.
As empresas fazem parte da sociedade, e a sociedade possui muitos problemas que afetam o desempenho dos funcionários nas empresas. Há o problema do sexismo, misoginia, racismo, preconceito contra pessoas com deficiência, contra idosos, entre outros. Mesmo quando um arcabouço legal e institucional reconhece um direito fundamental, os resultados para mitigar os efeitos prejudiciais do passado podem levar décadas ou séculos. Historicamente, é muito recente que alguns direitos foram considerados, como a ratificação da 19ª Emenda em 1920 nos Estados Unidos, que garantiu o sufrágio feminino e a primeira eleição nacional com a participação das mulheres. Embora as mulheres tenham conquistado mais direitos ao longo do último século, ainda persistem discriminações e estereótipos, e ainda há muitos desafios a serem superados. Robbins e Judge (2022) definem discriminação como: “Perceber uma diferença entre as coisas; muitas vezes nos referimos à discriminação injusta, que significa fazer julgamentos sobre indivíduos com base em estereótipos relacionados ao grupo demográfico deles.” E estereótipo como: “Julgar alguém com base na percepção do grupo ao qual essa pessoa pertence.”
Robbins e Judge (2022) mostram que, em 2016, 46,8% da força de trabalho era composta por mulheres, mas, mesmo assim, vemos uma lacuna em cargos de liderança e salários, favorecendo os homens. Em um relatório da Fortune de 2024, das 500 maiores empresas dos Estados Unidos, apenas 10,4% tinham líderes mulheres. Em um relatório da Forbes de 2024, é mostrado que as mulheres ganham em média 16% a menos que os homens. O papel do gestor deve ser encontrar formas de não perpetuar a discriminação (salário incluído neste item) e os estereótipos. Pensando nessa questão salarial, o trabalho de Chapko (2024) mostra como a transparência salarial pode ajudar nesse ponto. No artigo, ela mostra que 8 estados americanos têm leis de transparência salarial e que essas leis, em suas palavras: “causaram um aumento de 8,57% nos salários das mulheres.”
Robbins e Judge (2022) disseram que uma das implicações para o gestor é: “Compreender bem as políticas de antidiscriminação da sua organização e compartilhá-las com todos os funcionários.” Um dos programas que uma empresa pode ter para mudar o status quo é incentivar algum treinamento ou clube para estimular a liderança feminina e um programa de equidade salarial de gênero, mostrando que a empresa se preocupa em reduzir essa lacuna. Esse é um problema global; em toda a Europa, há apenas um país onde as mulheres ganham mais em média do que os homens, conforme mostra um relatório da Euronews de 2024.
**Referências**
Chapko, K. (2024). *How do Pay Transparency Laws Impact the Gender Pay Gap in the United States?* https://scholarship.claremont.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=4726&context=cmc_theses
Euronews. (2024, 8 de março). *Gender pay gap in Europe: How do countries compare on narrowing the divide?* https://www.euronews.com/next/2024/03/08/gender-pay-gap-in-europe-how-do-countries-compare-on-narrowing-the-divide
Forbes. (2024). *Gender pay gap statistics 2024.* https://www.forbes.com/advisor/business/gender-pay-gap-statistics/
Fortune. (2024, 4 de junho). *Fortune 500 companies are hitting a milestone for women CEOs in 2024.* https://fortune.com/2024/06/04/fortune-500-companies-women-ceos-2024/
Robbins, S. P., & Judge, T. A. (2022). *Essentials of Organizational Behavior* (15ª ed.). Pearson.
A comunicação é um conjunto de características. Ao aprender sobre uma nova cultura, além da língua, é necessário entender essas nuances não-verbais. Algumas cores de roupas e acessórios, por exemplo, podem ser ofensivas em algumas situações, além da linguagem não-verbal. Assim, é preciso preparação para evitar erros. Robbins e Judge (2022) mostraram que, em algumas culturas, a comunicação ocorre mais por palavras. Se você quer comunicar algo, a maneira mais eficaz é falar (Alemanha e Suíça, por exemplo), mas outros entendem sua intenção por meios mais sutis, como gestos, olhares, posição da cabeça, etc. (China e Coreia do Sul, por exemplo).
Ainda focado no tema, o trabalho de Azhar (2024) mostra como a comunicação não-verbal pode melhorar a eficácia da liderança. Além disso, há a necessidade de adaptar a linguagem não-verbal no ambiente virtual. Kevin Harrison mostrou um exemplo real de treinamento, como relatado por Azhar (2024), que diz: “os líderes precisam adaptar suas estratégias de comunicação não-verbal com sensibilidade às diferenças culturais.”
**Referências**
Azhar, F. (2024). *The role of nonverbal communication in enhancing effective leadership in organizational contexts.* Gema Wiralodra, 15(1), 324-333. https://gemawiralodra.unwir.ac.id/index.php/gemawiralodra/article/view/652/497
Robbins, S. P., & Judge, T. A. (2022). *Essentials of Organizational Behavior* (15ª ed.). Pearson.
Os Estados Unidos, assim como outras partes do mundo que foram colônias europeias, ainda sofrem os efeitos desse sistema. As empresas, como parte da sociedade, reproduzem os impactos sociais. Embora os Estados Unidos sejam independentes desde 1776, a escravidão acabou em 1865 e o sistema semelhante ao apartheid terminou institucionalmente em 1964 (ainda há muitas pessoas vivas no país que viveram nessa era). O massacre em ‘Black Wall Street’ em Tulsa em 1921, que matou e incendiou vários negócios e propriedades, mostra como o sistema racista americano era contra a prosperidade da comunidade negra.
Uma pessoa de origem europeia normalmente não se identifica apenas como ‘europeia’, mas como neto, bisneto de italianos, alemães, suíços, etc. Normalmente mantêm seus sobrenomes e sabem pelo menos um pouco sobre a cultura da família. Por causa da escravidão, muitas famílias negras tiveram seus sobrenomes, línguas e cultura apagados. Muitos afro-americanos (isso também ocorre no Brasil e em outras partes do mundo) só sabem que têm origem africana, mas não têm informações detalhadas sobre suas origens, se seus antepassados vieram da Nigéria, Angola ou Quênia, por exemplo.
Esse capital colonial passado e pós-independência dos Estados Unidos concentrou-se na população de origem europeia e, além dos boicotes que as comunidades negras sofreram, isso afeta o sistema de trabalho atual. Com o tempo, com a conquista de direitos, o cenário está mudando gradativamente.
Eu mesmo já trabalhei em uma empresa que tinha um programa de igualdade racial, o que já é um avanço, mas parecia muito falso, pois nos cargos altos da empresa não havia absolutamente nenhum líder negro, mostrando certa hipocrisia do programa.
Uma maneira de promover a equidade racial é através das declarações de diversidade, equidade e inclusão (DEI) na empresa, conforme mostra o estudo de Folberg et al. (2024).
**Referências**
CNBC. (2024, 15 de fevereiro). *Racial wage gap starts as early as 16—Here’s why.* https://www.cnbc.com/2024/02/15/racial-wage-gap-starts-as-early-as-16-heres-why
Folberg, A. M., Dueland, L. B., Swanson, M., Stepanek, S., Hebl, M., & Ryan, C. S. (2024). *Racism underlies seemingly race‐neutral conservative criticisms of DEI statements among Black and White people in the United States.* Journal of Occupational and Organizational Psychology. https://bpspsychub.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/joop.12491
History.com Editors. (s.d.). *Tulsa massacre: Before and after photos of Black Wall Street.* HISTORY. https://www.history.com/news/tulsa-massacre-black-wall-street-before-and-after-photos
Miller, Z. (2024, 1 de setembro). *Jack Daniel’s ending its DEI initiatives is truly absurd.* The Root. https://www.theroot.com/jack-daniels-ending-its-dei-initiatives-is-truly-absurd-1851638497
White, A. (2022, 20 de abril). *‘The judges didn’t accept me’: Why is figure skating still so white?* Metro. https://metro.co.uk/2022/04/20/the-judges-didnt-accept-me-why-is-figure-skating-still-so-white
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