Fórum Nº 3: Implicações dos argumentos de Ariely para os negócios, o governo e a sociedade (módulos 4-6)

Vamos recapitular o conteúdo dos módulos 5 e 6 e acrescentarei alguns insights que achei interessantes sobre o conteúdo dessas semanas.

Discussão de Ariely sobre por que pessoas normalmente honestas às vezes acham aceitável roubar

No TED, é mostrado que as pessoas trapaceiam para manter sua autoimagem. A palestra trata do tema da irracionalidade previsível, que leva a decisões ruins. Ariely fala sobre sua experiência no hospital, onde há um descompasso entre intenções e o que realmente acontece. O comportamento de trapaça é mais comum do que imaginamos; há muito mais indivíduos cometendo pequenas infrações do que um pequeno grupo de pessoas cometendo uma grande fraude. Esse conceito pode ser explicado pelo fudge factor, onde as pessoas racionalizam suas ações para manter a autoimagem. Influências sociais e ética pessoal podem influenciar o hábito de trapacear. Experimentos mostram que um grupo pode incentivar ou desencorajar ações desonestas. Quando uma pessoa vê outra trapaceando, ou quando há um distanciamento do dinheiro (por exemplo: pegar uma caneta que pertence ao escritório, porque a pessoa não associa a caneta ao dinheiro gasto, por exemplo).

Ariely - Capítulo 6: Trapaceando a nós mesmos

O capítulo mostra como nos enganamos para podermos trapacear sem sentir culpa. Trapaceamos para nos sentirmos morais, mesmo ao agir de forma desonesta. O conceito de fudge factor explica por que as pessoas cometem pequenos atos de desonestidade sem comprometer sua autoimagem. O papel do raciocínio motivado é mostrado, pois ignoramos evidências que entram em conflito com a nossa autoimagem desejada, o que torna mais fácil trapacear.

Ariely - Capítulo 7: Criatividade e desonestidade

Ariely diz que a criatividade tem uma certa ligação com a desonestidade, pois, segundo ele, pessoas criativas são melhores em construir narrativas para justificar comportamentos antiéticos. As pessoas podem usar a criatividade para reinterpretar fatos a seu favor, fazendo com que trapaceiem enquanto mantêm uma boa autoimagem.

Ariely - Capítulo 8: Trapaça como infecção

O comportamento desonesto pode ser "contagioso". Assim como pegamos um vírus de outras pessoas, podemos ser mais desonestos se estivermos em um ambiente onde há mais desonestidade. O capítulo discute a Teoria das Janelas Quebradas, que afirma que sinais visíveis de pequenas quebras de regras podem levar a comportamentos antiéticos mais graves. Quando a desonestidade é normalizada em um grupo social, torna-se mais fácil para os indivíduos justificarem sua própria trapaça.

Ariely - Capítulo 9: Trapaça colaborativa

As pessoas tendem a trapacear mais quando estão em grupos. Esforços colaborativos diluem a responsabilidade individual, tornando mais fácil para as pessoas se envolverem em ações desonestas. Quando a trapaça beneficia o grupo, as pessoas se sentem menos culpadas por suas ações desonestas.

Artigo da Wikipedia sobre Rent Seeking (Busca por Renda)

Rent-seeking é o processo de aumentar a riqueza manipulando a política e a sociedade sem gerar nova riqueza como resultado. Esse comportamento reduz a eficiência na economia, incentiva práticas negativas como corrupção e diminui a confiança pública. Como isso pode acontecer: manutenção de monopólios e criação de regulações que desencorajam a entrada de concorrentes honestos no mercado. O termo surgiu no século XIX através do economista David Ricardo. Os rent-seekers extraem valor dos outros sem contribuir para a produtividade, o que é diferente dos profit-seekers, que ajudam a criar riqueza. Alguns exemplos atuais de rent-seekers são políticos corruptos, lobistas e aqueles que estrangulam o livre mercado por meio de barreiras. O paradoxo de Tullock mostra que os rent-seekers têm um custo baixo em comparação com os benefícios que podem obter manipulando o sistema.

Todd Zywicki - Rent-Seeking, Crony Capitalism, and the Crony Constitution (2016)

Todd Zywicki mostra a relação entre rent-seeking e capitalismo de compadrio, e como essa dinâmica afeta os sistemas econômicos e políticos, com ênfase nos Estados Unidos. Nesse sistema, o governo, grandes corporações e grupos de interesse colaboram para se beneficiar mutuamente. Empresas podem receber subsídios e proteções comerciais e, em troca, ajudam os objetivos políticos do governo. O resultado é uma economia ineficiente e uma alocação errada de recursos. A crise de 2008 expôs o capitalismo de compadrio no país. O governo "resgatou" várias empresas, como a General Motors e bancos, por razões políticas, e distribuiu benefícios a grupos de interesse, como sindicatos. O capitalismo de compadrio leva à ineficiência, reduz a competitividade e cria um ambiente onde redes políticas são mais importantes do que o sucesso no mercado. O artigo é cético quanto a reformas profundas para acabar com esse sistema, pois grandes corporações e partidos políticos se beneficiam dele.

Ariely: TED Talk sobre nosso código moral

Ariely mostra como nossas intuições morais podem ser falhas. Ele afirma que é importante testar nossas suposições e intuições por meio de um sistema de experimentação. Ele conta a história de quando teve queimaduras e acabou no hospital, onde não conseguia encontrar a técnica correta para remoção de curativos que minimizasse a dor do paciente. Isso o levou ao insight de estudar comportamentos irracionais. O comportamento de trapaça não está restrito a um pequeno número de pessoas; muitas pessoas têm a tendência de mentir levando em conta o fudge factor, que permite um pouco de desonestidade, mas ainda mantém uma autoimagem positiva. Alguns elementos sociais e ambientais podem influenciar o grau de desonestidade. O fudge factor afeta áreas como negócios, vida pessoal e decisões políticas.

Entrevista no blog da Wharton com Ariely

Nesta entrevista, Ariely reafirma que pequenos atos de trapaça são mais comuns do que grandes fraudes e que diretrizes éticas claras são necessárias. A desonestidade é comum nas organizações, especialmente em pequenos atos que passam despercebidos. O mau comportamento é mais observado do que o bom comportamento, o que pode contribuir para a normalização da trapaça, e pequenas violações podem levar a violações maiores. Regras de conduta pouco claras podem levar a comportamentos ruins. Regras claras podem mitigar a racionalização e reforçar a conduta ética. Whistleblowers são pessoas que denunciam comportamentos antiéticos, e as organizações devem ter mecanismos para protegê-los.

Mazar, Amir & Ariely (2008)

O artigo explora como as pessoas conciliam o fato de se beneficiarem da desonestidade com a manutenção de uma autoimagem positiva, mesmo quando se comportam de maneira antiética. Existem dois fatores que explicam esse comportamento: desatenção aos padrões morais e maleabilidade da categorização.

  • Desatenção aos padrões morais ocorre quando uma pessoa não foca ativamente nos seus padrões morais internos ao agir de forma desonesta. Exemplo: alguém declara um valor de impostos um pouco menor para obter um ganho financeiro sem pensar muito nisso.

  • Maleabilidade da categorização: flexibilidade para interpretar uma ação e se sentir menos desonesto. Exemplo: quando uma pessoa trabalha muitas horas e diz que não vê problema em fazer algo questionável, ou pegar uma caneta da empresa.

Os pesquisadores fizeram experimentos e descobriram que focar nos padrões morais reduz a desonestidade, enquanto oportunidades por meio da categorização (exemplo: trapacear por fichas em vez de dinheiro) aumentam o comportamento desonesto. Na economia tradicional, a desonestidade é vista puramente como um custo-benefício racional, mas na realidade, é algo mais complexo.

Tornar os padrões morais mais perceptíveis e reduzir a flexibilidade na categorização pode reduzir a desonestidade de forma eficaz.

Referências

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