Boca fechada é uma das chaves para realizar os seus sonhos #008
Eu sempre fui uma pessoa muito sonhadora, quando criança me imaginava salvando as plantas e animais. Me tornando o CEO de uma grande empresa. Um explorador do mundo, aprendendo vários idiomas e viajando para vários países. Sempre me interessei nesse tema de viagens. Quando assistia animes queria ir para o Japão, quando comecei a ver k-dramas, queria ir para a Coreia, estudar na Europa, etc, enfim, muita coisa. Sempre tive muitas ambições.
Mas eu sempre fui muito boca aberta e falava o que queria para os outros, ou quando tinha algo, falava o que tinha para todo mundo. Na minha casa sempre teve muita escassez, fui criada por mãe solo, sem ajuda de pai e outros familiares, então minha referência, sempre foi minha mãe, quando eu falava para ela o que queria ser ou o que queria ter algo, ela sempre falava (fala até hoje na verdade), é preciso ter o "pé no chão", ela é do estilo de "ver para crer", não tem a opção "crer para ver".
Então fiquei com isso no meu subconsciente. E sempre havia sabotagem por parte minha e dela. Se eu ganhasse cinco reais, cem reais, enfim. Ela sempre dava jeito de queimar esse dinheiro, o dinheiro virava um tênis, ou a visita ao dentista para tirar a cárie. Sim, isso são coisas importantes, ter um tênis e cuidar da saúde. Eu sempre tive esse impulso mais poupador, mas sempre acabava desanimando por sempre precisar do dinheiro guardado para alguma coisa. Nunca tive esse ensinamento de pensar no longo prazo, mas algo dentro de mim sempre achou isso muito importante, aprendi isso comigo mesmo, não tive referências ao meu redor sobre educação financeira ou propósito.
Terminando o ensino médio, eu queria aplicar para uma bolsa de estudos para a Coreia, eu besta, contei para todo mundo, uma decisão péssima obviamente. Algumas pessoas ficaram na expectativa, mas infelizmente não tive apoio de ninguém para fazer essa inscrição. Quando vi os custos para traduzir documentos e burocracias, meu sonho foi por algo abaixo. Me senti um fracasso nesse momento da minha vida.
Entrei na faculdade, outra humilhação, não poderia fazer a faculdade fora do estado que moro, pois seria muito caro para me manter. E perdi alguns dias de aula pois não tinha dinheiro para a passagem para eu me mudar de cidade. Na faculdade outras sonhos perdidos: eu não poderia fazer intercâmbio pelo programa Ciências sem Fronteiras, pois Economia (a graduação que fiz) é um curso de humanas e só graduações em Exatas poderiam participar, e logo após um tempo o programa acabou. Fiz Universidade Federal, na época que entrei foi quando as "mordomias" acabaram por conta dos cortes de verbas, então não tive nenhuma viagem de palestra, conferências. Fui rejeito pelo PET (Programa de Educação Tutorial, é um grupo onde você começa a desenvolver pesquisa). Entrei na AISEC com uma ânsia de ter contato com estrangeiros, culturas diferentes, mas vi que para se socializar nesse ambiente, precisaria de um dinheiro que não tinha, eu já vivia no limite para conseguir sobreviver, não dava para eu ficar nesse meio, tinha vergonha.
Mas não acontecerem só coisas ruins, consegui passar num estágio numa empresa de saneamento, o salário era bom, aí já criei expectativas de crescer na empresa. Logo após entrar nessa empresa, me chamaram numa seleção do banco Banestes, chequei na última etapa para ser reprovado (😐), mas depois me ligaram perguntando se eu tinha interesse, disse que já tinha pego uma oportunidade. Era o setor que queria trabalhar, o bancário, mas como esse banco era público, depois do estágio eu seria demitido, pois só dá para continuar nesse banco através de concurso público. Mas depois descobri que a pessoa da minha turma que entrou nessa vaga, conseguiu ser efetivado numa empresa de investimento parceira que não era ligada diretamente ao banco. O medo da escassez (super entendível, pois não teria ninguém para me ajudar a ter uma melhor qualidade de vida) me fez perder essa oportunidade.
Maior parte do tempo, posso dizer que fui feliz nessa empresa que comecei a trabalhar, só no final da minha experiência que tive uma chefe imediata complicada, como fiz no relato aqui. Mas percebi que não teria destaque, essa empresa é uma empresa de engenharia que atua na área de saneamento, obviamente os que tinham destaque e mais oportunidades na empresa era quem era engenheiro. E para crescer dentro da empresa (percebi que isso é um padrão das empresas privadas grandes no Brasil) é necessário passar no programa de Trainee e nesse programa é muito valorizado quem faz intercâmbio no exterior (pois as empresas acreditam que quem morou fora no Brasil por um tempo vai conseguir desenrolar no Inglês), isso meio que exclui quem é de baixa renda.
Nessa época já estava começando a juntar um dinheiro para fazer meu sonhado intercâmbio, eu boca aberta, contei meus planos para todo mundo. Senti que minha vida deu uma travada. Acabei saindo do estágio e sendo contratado como CLT na empresa na função de assistente administrativo, por incrível que pareça, meu salário caiu, recebia menos e descontava a previdência, impostos, etc. Um pouco antes da pandemia, fui demitido uns dias antes da minha formatura na faculdade. Isso me deixou muito abalado.
Comecei um novo emprego que não deu certo, logo em seguida começou a pandemia. Voltei para a casa da minha mãe, usei o dinheiro que tinha para ajudar nas despesas, acabei ficando zerado, um ano e meio desempregado. Meus sonhos foram água abaixo de novo.
Minha mãe já estava soltando indiretas sobre emprego que piorou minha autoestima, sendo que já estava disparando dezenas de currículos por dia, entrevistas que não davam em nada, humilhando contatos para conhecidos sem retorno. Como o que tinha era tempo, todo mundo dentro de casa. Aproveitei esse tempo e estudei para concursos públicos, passei em dois concursos, um para professor e outro para secretaria escolar. Assumi a vaga de secretário escolar, pois eu não tenho muita afinidade com sala de aula, gosto de ensinar, mas todo mundo sabe como é o caos da educação no Brasil.
Aprendizados com a maturidade
Nesse tempo trabalhando na educação, fui estudando para a prova do mestrado, estudando para a prova de proficiência em inglês, fazendo aulas online, tudo em silêncio. Com o tempo, fui aprendendo a deixar a minha vida cada vez mais privada, o que tenho, o que ganho, o que estou fazendo.
Eu aprendi que você deve guardar seus planos apenas para você, pois se você quiser mudar sua rota, não vai gerar frustação para outras pessoas e também para se blindar da energia da inveja. O mundo não é composto apenas por pessoas boas, muita gente vai tentar te derrubar, às vezes pessoas que você nem imagina. Ninguém vai te derrubar se não souber o seu caminho.
Fui fazendo os concursos em silêncio, aprendi que nossos sonhos, não são os sonhos e ambições de outras pessoas, tento animar as pessoas para buscar um emprego melhor, uma faculdade, um curso, mas muita gente só gosta de reclamar e não se move para fazer a diferença acontecer. Então aprendi a se esforçar menos em relação aos outros e focar em mim.
Finalmente vou realizar esse sonho de morar fora do Brasil, não foi com 17, mas foi com 27, pode ser com 50. Às vezes temos essa ânsia de tudo acontecer rápido, às vezes pode demorar, cada um tem uma trajetória, um ponto de partida na vida, é muito tóxico para a mente comparar o que você viveu com os outros. Não limite o que você deseja por conta de idade. Seguir o trilho dos seus sonhos com foco, aumenta muito a chance da realização, só dar um passo de cada vez. Acredite ser merecedor, ter aquilo que deseja. Faça a lei da atração funcionar na sua vida. Se quiser ir para a França, por exemplo, mas está quebrado financeiramente, não tem problema, comece a fazer algo em direção a isso, dê o primeiro passo, comece a estudar o francês em silêncio, pesquise bolsas de estudos, oportunidades de trabalho, faça um plano, não conte para ninguém e siga-o. Uma hora a oportunidade bate na sua porta e você vai estar preparado.
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